Pensei em começar esse post como se fosse um anúncio de procura-se, onde digo o tipo de cara que estou procurando, em função de algo que ainda estava para acontecer; mas acabei desistindo, justamente por causa do que me aconteceu depois...
Resolvi assim, escrever aqui sobre essa sociedade injusta que vivemos e do relacionamento que ela tem com nós, gays, sejam os assumidos como eu ou os que vivem ainda, como diz a popular gíria, dentro do “armário”, e principalmente com esses.
Não foi fácil assumir que sou gay, não perante a família e perante outras pessoas a quem eu disse, não sou daquele tipo que levanto bandeira, não fico fazendo demonstrações públicas de afeto, não sou participante de paradas gays e nem muito menos freqüentador assíduo de ambientes GLS; mas assumo que sou quando questionado, demonstro afeto com quem eu quero na frente de que me sinto bem, freqüento quando estou afim qualquer tipo de ambiente, seja hétero ou gay, e me sinto no direito de defender pessoas como eu.
Fico a pensar nos caras que não se assumem, por medo da família, por achar que isso vai dar um desgosto para elas, que elas deixarão de amá-los, fico triste com pessoas que não assumem por medo da sociedade, por pressão do trabalho, por medo de rótulos, críticas, preconceitos ou qualquer outro tipo de crítica.
Esses caras acabam criando frustrações para suas vidas, sufocam desejos e sentimentos em função de manter uma aparência “normal” de homem comum, que namora uma mulher, casa, tem filhos e vive o estereótipo de uma família feliz, mas por dentro fica o desejo reprimido, que muitas vezes é solto tarde demais, fazendo assim a tristeza de toda uma família que acaba não entendendo e se sentindo traída.
Acho tão normal seguir nossos instintos, é algo tão natural. Se nos foi dado esse dom, de poder seguir o que é natural, de seguir o que sentimos por dentro, porque não usa-lo, porque não deixar que se sinta algo, se desejamos algo, vamos colocá-lo para fora, vamos deixar que nossa vida siga o rumo devido.
A família, se ela for unida, se for mesmo uma família, com amor e afeto, não importa se o cara gosta de homens ou mulheres, vai continuar a amá-lo como sempre amou, pois é uma questão de respeito, de amor pelo semelhante, de amor que vem de pai e mãe para filho, um sentimento nobre que não pode ser explicado, apenas vivido.
Quanto a sociedade, se sou um cara justo, se respeito os outros, se sou bom funcionário, chefe, superior, se sou sincero, amigo, leal, para que ficar me julgando simplesmente por quem eu gosto de beijar, estar de mãos dadas ou fazer sexo, isso é minha vida pessoal, são meus sentimentos, são coisas que faço e não afetam minha vida profissional ou meu caráter.
Ficar julgando que um cara é ruim, é depravado, é indigno de trabalhar na empresa, de cuidar de crianças em uma escola, de dar assistência a um enfermo simplesmente porque ele sente atração por uma pessoa do mesmo sexo, é injusto, é feio, é imoral, é acima de tudo uma falta de respeito, uma extrema falta de respeito.
Devemos, nós, que assumimos, que resolvemos enfrentar essa sociedade hipócrita em qual vivemos, lutar a cada dia mais para que tenhamos mais respeito, e devemos lutar para que as pessoas que ainda não assumiram, que ele se sintam bem, que percebam que a sociedade vai mudar, vai melhorar e que eles devem seguir sues instintos, suas vontades, seus desejos, e não sufocá-los em detrimento de um trabalho, de uma família, do julgamento da sociedade.
Triste, é muito triste ver uma pessoa boa, alegre, uma alma boa e iluminada trancada dentro de um estereótipo de “bom” rapaz, é triste ver uma vida que ainda tem todo um caminho a percorrer, escolher o caminho não natural, o caminho que não o fará feliz, ao invés de outro, que não é fácil, que tem muitas pedras e muitos tropeços, mas que pelo menos leva a felicidade, leva ao destino natural.
Triste, nunca algo me deixou tão triste quanto ver isso novamente...
Poxa,
ResponderExcluirRealmente concordo com vc.
Mas algumas pessoas simplesmente não estão prontas pra isso.
Eu digo por mim mesmo, que não pretendo contar aos meus pais, apesar de amá-lo incondionalmente.
Acho que eles não precisam.
Enfim...
Mas qu eé triste, isso é.
Bjo, amigo!
Então... belo texto... e o mais legal, você não se propõe a criticar aqueles que ainda não tiveram a força que você teve de "comprar" a briga.
ResponderExcluirEu não sei, há tantas "variáveis" envolvidas... mas tiro por mim... talvez o maior vilão nessa história toda sejamos nós mesmos.
"O Homem é o lobo do homem"...
A sociedade é hipocrita e tudo o mais o que você falou é verdade, infelizmente é uma realidade que temos que lidar. MAs tudo isso fica menor quando nos sentimos "bem" em nossa própria pele.
Mas isso rende muitas conversas!
Belo texto! Abração!
Me apaixonei por ti!!!hahha
ResponderExcluiròtimo texto!!
Penso da mesma maneira, porém nao concordo e abomino os gays que por nao se assumirem criticam os outros que se assumem!!! Isso para mim que é triste!
Já vi muitos gays e lésbicas "enrustidos" criticarem os outros homossexuais com toda a fúria, como se fossem heterossexuais preconceituosos.
Esse tipo para mim é lastimável!
forte abraço
Vincenzo
tens msn? Seria interessante conversarmos mais. Gostei de sua visao.
ResponderExcluirabração
Eu te admiro pela força e coragem de viver sua vida da forma que você quer, sem palavras medidas.
ResponderExcluirEu ainda não estou preparado para isso, e acho que algumas pessoas não precisam saber nunca. Família é uma coisa complicada, por mais que se amem incondicionalmente, algumas pessoas nunca vão aceitar certas situações.
Mas to feliz assim. Isso que importa né?
Felicidades, meu caro!
Abração, Lucas.
"Triste, é muito triste ver uma pessoa boa, alegre, uma alma boa e iluminada trancada dentro de um estereótipo de “bom” rapaz"
ResponderExcluirconheço pessoas assim...
é realmente triste...
mais concordo com o vicenzo lá em cima:
e o preconceito entre os gays com os assumidos? q tb existe! e como existe!
Eu concordo absolutamente contigo. Apesar de achar que cada um tem o seu momento e sabe pra quem pode se assumir e de que forma, é assumindo-nos que a gente começa a quebrar preconceitos e barreiras e ajuda a outros gays neste processo. Além do mais é uma grande satisfação não ter nada a esconder de ninguém. Bj
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