terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Epílogo


                Por duas semanas, uma série de seis textos publicados neste blog despertou curiosidades em alguns leitores. Especulavam se seriam relatos verdadeiros, se eu estaria simplesmente relembrando o passado ou se estaria criando fatos ficcionais, por puro divertimento.
                Na realidade, todos acertaram. Os textos forma elaborados dentro de um exercício de criação, onde realidade e ficção se misturam para criar algo maior, completo e complexo. Todos os textos têm um fundo de verdade, algum fato que realmente aconteceu, um pequeno trecho da história que gerou todo o resto ou que se misturou no meio dela, não importa onde, mas sempre há um fundo verdadeiro. Alguns poucos leitores saberão do que falo, outros muitos irão ficar imaginando quais serão as situações reais, e essa é justamente a função do exercício.
                A idéia surgiu de um momento de ócio, da leitura simultânea de quatro livros e da lembrança de um filme. O último texto é baseado claramente no filme “500 dias com ela”, que eu já assisti várias vezes, que eu tenho a trilha sonora, e mesmo assim não deixo de me encantar pelo desenrolar da história e pelos inúmeros significados que podemos encontrar dentro dela. Para quem ainda não assistiu, recomendo.
                Os outros textos são basicamente idéias que surgiram durante a leitura de “Os Mandarins” de Simone de Beauvoir, “Nunca o nome do menino” de Estevão Azevedo, “Psicologia da Criatividade” de Todd Lubart e “De onde vêm as boas ideias” de Steven Johnson, sendo estes dois últimos os responsáveis pela “proposta” do exercício.
                Os títulos dos textos, também tiveram uma preocupação e uma solução inusitada, mas ao mesmo tempo simples. Por se tratarem de textos de ficção, me pareceu razoável criar títulos curtos, mas que tivessem significado com o exercício; sendo assim, a proposta de nomear a série com o tradicional “Era uma vez”, foi substituída por letras e número, que em dado momento exclamavam uma expressão ou um signo representativo dentro do contexto descrito no corpo do texto. Desse modo, ficamos com “E? R... A! 1+A X.
                A intenção de não dar final aos textos, pelo menos nos cinco primeiros, deixando pontas soltas e prendendo a atenção do leitor, ou simplesmente, dando a ele a sugestão para que completasse a narrativa do modo que melhor lhe conviesse, foi feita e cumprida a risca, dando um resultado satisfatório a este que lhes escreve. Por motivos óbvios, o último texto da série é o único com final, nos dois sentidos, tanto literal quanto gráfico, visto que a última frase apresenta ponto final, diferente dos outros que se encerram com reticências.
                No mais, confesso que foi divertido, diferente e inusitado; o ato da criação, a inspiração, a construção seja de um texto, de um desenho, pintura ou qualquer outra forma de expressão, sempre nos revela a cada vez, uma surpresa, nunca podemos imaginar quando iremos atingi-la, quando iremos ter inspiração ou quanto iremos desenvolver. Em uma sociedade que se acostuma a ter acesso a tudo de forma muito rápida, exercícios como esse, mostram o quanto podemos ser surpreendidos pelas informações a nós já pertencente ou que sirvam de ponto de partida para procurar outras e, de forma ordenada e/ou desordenada, construir uma forma de expressão própria. E isso se chama ARTE.
                Não que eu tenha pretensão que estes textos o sejam, eles apenas serviram como já disse, a um exercício divertido de criação. E recomendo a todos que façam, sempre que possível.
                Obrigado a todos que leram e comentaram...foi realmente prazeroso e divertido.
                E agora, voltemos a programação normal..............................

4 comentários:

  1. Bom... achei ótimo esse teu "exercício" e fico na esperança que outros venham por aí!
    E quanto a me embrulhar... vai precisar muitooooooooooo papel pra isso, nzé? Hahahahahaha! Bjos!

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  2. A criação foi inusitada, partindo de um acontecimento real ou lembrança própria. Eu não conseguiria fazer isso. Minhas lembranças vem num amontoado e a maioria delas eu não quero relembrar, pelo menos as da área afetiva/relacionamento. Nem mesmo com um final diferente. Águas passadas, no meu caso, não moverão mais moinhos.
    Você soube nos prender Mabe, e o título eu até consegui decifrar...em parte...kkkk

    beijos e gracias

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  3. Foi muito bom e eu gosto disto ... sempre gosto de colocar luzes na minha vida e nos meus sentimentos, sejam eles passados ou presentes e, uma vez iluminados, compartilhá-los ...

    bjão

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  4. Bah, e eu que sou o mais bobo, caí direitinho, hahahaha! Mas tudo bem, gostei do exercício! Aliás, pode-se dizer que até o fiz uma vez... Praticarei!

    Abração!

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