Dizem
que aprendemos com os erros; sinceramente, não sei. Acho mais fácil os animais
aprenderem com erros do que o ser humano (saca aquelas experiências com
camundongos e choque elétrico?então...).
Ultimamente,
não que eu tenha pensado muito nos erros do passado, não; pois ficar pensando
neles é uma questão de perda de tempo. Eu tenho pensado que foram os erros do
passado que me trouxeram até onde estou hoje. E o hoje, ora é bom, ora não é; e
vai ser sempre assim, pois a vida é cheia de ciclos, de desafios, de situações
incertas, de oportunidades únicas...
E,
talvez as oportunidades únicas, essas eu tenha deixado algumas escaparem...
Irônico, é que na tarde do dia em que escrevo esse texto, fico pensando na
oportunidade que perdi pela manhã desse mesmo dia. E isso é recorrente, pensar
sobre as perdas das oportunidades, pensar sobre as perdas.
No
passado já perdi muito, não em sentidos materiais, essas foram poucas, até
mesmo porque nunca tive muito a perder; mas tive grandes perdas em outros
sentidos... Dentre eles o sentimental/amoroso é um deles. Por muito tempo ele
simplesmente foi negado, deixado de lado, colocado naquele canto escuro e frio,
onde as coisas “sem importância” merecem estar. E por ai, entende-se que a perda
foi grande. Nesse caso específico, digamos que o tempo, nosso grande aliado (ou
não) me trouxe uma (ou várias) oportunidades de reaver essa perda, de desfazer
o tempo perdido e colocar os ponteiros em dia. Agradeço a ele, mas com a
ressalva que ele adiantou um pouquinho demais os ponteiros... Ainda estou
procurando o trilho certo para entrar novamente nos eixos.
Talvez
a minha maior perda no passado, a que me tira o sono em algumas noites de
solidão, e a que mais me lamento quando estou sozinho imerso em pensamentos
profundos, seja com relação a minha carreira/profissão. Essa sim foi uma perda
gerada por erros cometidos, escolhas erradas e mau julgamento da minha parte.
Por vezes eu não vi o tempo passar (ele me traiu), não dei importância a certos
momentos, a certas oportunidades, que vieram e se foram; e assim, os erros
foram se acumulando, se acumulando como pedras que se apoiavam umas sobre as
outras, até o momento de todas rolarem barranco abaixo, formando uma enorme
avalanche e causando certa destruição.
Não,
não foi uma destruição assim tão grave, tão drástica, tão dramática como a
descrição da cena sugere, mas digamos que por algum momento, por algum tempo,
ela se mostrou mesmo de forma grave, com cores sombrias e repletas de faces
aterrorizadas. Por um tempo a dor que ela causou, esteve presente, a tristeza
fez companhia a ela, e juntas causaram certa instabilidade, emocional,
material, familiar, pessoal.
Felizmente,
nada dura para sempre (isso vale para tudo e ambos), e a fumaça, as nuvens
escuras, as pedras foram sendo removidas, foram sumindo e, quase, tudo achou um
modo de sobreviver. Claro que as feridas demoram a cicatrizar, o sangue ainda
escorre por algumas delas, e algumas coisas nunca mais serão como antes, e nem
poderiam ser...
Desse
episódio, algumas pedras foram guardadas como “lembrança”, não como item de
recordação no sentido bom, mas justamente para que aquilo tudo jamais seja
esquecido. E não será esquecido, justamente para que os mesmos erros não sejam
cometidos, pois é fácil errar novamente pelos mesmos erros, pois não
conseguimos lembrar deles, visto que mudam-se os cenários, os personagens, as
situações, e achamos que aqueles erros não se encaixam agora. Ledo
engano...nada muda, apenas assume uma outra roupa, mas a essência permanece a
mesma.
Dessas
pedras guardadas, que não são muitas, elas me servem para vez ou outra, eu
exorcizar meu ódio, extravasar minhas energias negativas e poder continuar em
frente, e admito, muitas vezes tendo como combustível essa carga de raiva que
vez ou outra toma conta de mim. Não sei se guardo rancor, acho mesmo que guardo
ódio, de uma forma tão bem guardada que ele não aparece no dia a dia, mas que
vez ou outra tenta escapar por uma pequena fresta. Algum dia ele escapará, sem
controle nenhum, como um dragão enlouquecido que cospe fogo e queima tudo; bem
provável que seja dessa maneira mesmo, bem provável que eu tenha uma reação
extrema, incontrolável e inimaginável. Por isso, por hora, eu mantenho esse
dragão bem acorrentado, bem guardado dentro daquele canto escuro e esquecido,
onde ninguém imagina que ele estará.
Algumas
outras pedras que foram guardadas, serviram de base para reconstrução de tudo,
estão lá, assentadas de modo a me servirem, a me sustentarem, a me lembrarem
que foi por elas que eu mudei, que eu assumi novos riscos, que eu resolvi olhar
para outro lado, deixando tudo que foi destruído (ou a maior parte dele) para
trás.
E,
como não poderia deixar de ser, algumas pedras eu carrego comigo todos os dias,
não sei bem ao certo porque, mas acho que é o correto a fazer. Delas, eu me
orgulho, eu sei que foram parte dos meus erros do passado, mas que também foram
elas que me deram energia para continuar, pois sem elas, eu já teria deixado de
caminhar.
De
todos os meus pensamentos, o que mais me é recorrente, é que a vida segue, ou
melhor, vai indo, como eu costumo dizer. E vai indo mesmo, de um modo ou de
outro, com seus altos e baixos, seus caminhos lisos ou cheios de pedras, com
perdas e ganhos, ônus e bônus, a vida vai indo.
E
a minha, vai indo; estou tentando não cometer os mesmos erros, acertar o
caminho, retirar as pedras que não me servem, guardar as que possam servir,
olhas as perdas como ganhos e os ganhos como prêmios, me desfazer de certas
roupas velhas, hábitos maus, pessoas, lugares, bens. Caminhar. Ir. Acho que a
palavra é essa...
Ir.
Dizem que a gente nunca perde, podemos sim, deixar de aproveitar algo... não sei, mas e se ao invés de você chamar de erro, você chamasse de tentativas?!
ResponderExcluirSim.. tentativas, primeiro porque em cada uma dessas situações, você fez o melhor que pode! Segundo, porque não acredito que exista um caminho correto ou algo certo a ser feito.
O certo é não abdicar do direito de viver, de amar e de ser feliz! E isso, a qualquer momento você sempre vai poder decidir que é seu tempo e recomeçar. E por falar em tempo, esse sim é implacável.. muitas vezes não precisaríamos ir até o fim para poder recomeçar, é difícil entender que a qualquer momento podemos desistir, recomeçar, fazer algo diferente.
Se tuas escolhas o levaram para longe do que você inicialmente traçou, por outro lado, permitiram abrir um novo caminho que eu confio que ainda trará grandes alegrias para ti. O duro, é que essa é uma luta solitária muitas vezes e cansativa...
Se por um lado você hoje ve ao longe algumas coisas que tinha planejado, não deixe de virar a cabeça um pouco mais e olhar para trás para ver o caminho percorrido... você vai ver que tem muito o que se orgulhar - e pouco importará se foram por conta de erros, acertos, divergências...
Abração!
Tentar não cometer os mesmos erros ou até mesmo ter consciência deles já pode significar um aprendizado, ainda que não muito aparente. Como um asteroide em rota de colisão, que agente só dá um peteleco pra desviar sua rota beeem lentamente.
ResponderExcluirOlá.
ResponderExcluirGostei muito do seu blog, parabéns.
Sempre que possível estarei passando por aqui.
Até mais
Percebi esta questão de nunca se perder a oportunidade q a vida nos apresenta, por volta dos meus 42 anos. Uma grave enfermidade me colocou entre a vida e a morte ... felizmente ainda estou aqui a partilhar minha vida com os amigos ... desde então percebi o qto é frágil o existir ... por isto, qdo se quer algo e a oportunidade surge ... agarre-a ... não deixe para depois ... este depois pode não existir ...
ResponderExcluirbjão
Perdas, pedras e erros... quem não os tem para contar, nzé? Mas o que importa é isso: ir. Parar de caminhar é que é grande perigo!!! Bjos!
ResponderExcluirAprender com os erros e voltar a cometê-los..sei o que é isso. Mas, mais cedo ou mais tarde, acabamos assimilando a questão. Dai é só torcer para que a chance não aproveitada... não tenha sido a única.
ResponderExcluirMe identifiquei com grande parte do post.
Beijos Mabe
Façamos assim... quando VOCÊ chegar ao milésimo post a gente negocia um "brinde", tzá? Hahahahaha! Beijos, tinhoso platinado!
ResponderExcluirentão as reais perdas são as oportunidades que deixamos escapar?
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