terça-feira, 6 de maio de 2014

Aequalitas



Último texto da trilogia, para fechar a linha de pensamento....

Se tem algo que minhas últimas relações me ensinaram, foi que algumas barreiras, quando caem, são ótimas, e deixam qualquer relação, seja entre namorados, familiares ou amigos, perfeita.
Uma dessas barreiras, que eu ainda tinha em minha vida, era muito mais de nível social do que qualquer outra em particular.
Eu sempre fui uma pessoa reservada, que demorou muito para se assumir e que mesmo assim me mantinha no anonimato, mantinha minha vida dentro de um quarto escuro, com medo de ser julgado e descriminado.
Com o tempo, isso foi se perdendo, foi sendo deixado de lado, principalmente quando eu percebi que não era mais julgado, nem pela sociedade e nem pela minha própria família, pois isso ainda era um medo muito presente.

As diversas relações, os diversos caras com quem eu saí, as diversas pessoas que passaram pela minha vida, cada uma com seu jeito, com suas qualidades, seus defeitos, seu caráter, cada qual com suas particularidades, foram me mostrando que existe sim uma diversidade incrível, e cada qual soube, por um jeito ou outro, me deixar uma marca, que eu usei a meu favor, para que o meu medo, os meus pré-conceitos, fossem sendo derrubados.
A última barreira que veio a baixo, veio com meu último relacionamento, que foi curto e tumultuado, resultando em uma separação esperada, porém não menos dolorosa.
Mas, como todos os outros, ele soube me deixar uma lição, a da igualdade.

Somos todos iguais perante os olhos de algo maior, mas perante os olhos de outros semelhantes, achamos que somos diferentes. E foi justamente isso que aprendi, que não somos, e que podemos sim, além de devermos, nos fazer notar pelas nossas qualidades, pelo nosso caráter, e não por com quem nos relacionamos.
O conceito de igualdade que eu quero aqui deixar claro, não é aquele de que somos só todos iguais, é que não precisamos mais ter medo de deixar transparecer o que somos, pois somos como qualquer outro. Não é o fato de eu me relacionar com homens que vai me desabonar em uma sociedade, é o meu caráter que me define, nada mais.
Hoje, para mim, ter um namorado, falar sobre ele, levá-lo a lugares que freqüento, apresentá-lo, ou mesmo conversar sobre ele ou sobre outro ex, ou sobre um futuro pretendente, é algo natural para mim e para os que me rodeiam, pois eu derrubei a barreira não só do preconceito com o gay, mas derrubei a barreira do “assunto proibido” que é o relacionamento gay, que por melhor que esteja sendo discutido em nossa sociedade pela mídia, ainda é assunto delicado em níveis sociais básicos, como amigos, colegas ou mesmo familiares.

Hoje, conversar comigo sobre relacionamentos, sobre pretendentes, sobre ter ou não ter namorado, deixou de ser aquele assunto restrito a amigos gays, e se tornou um assunto aberto, sem pudores, que como qualquer outro assunto, pode e deve ser conversado de igual para igual com a família, com amigos héteros, com pessoas que estão no meu dia a dia, sem o medo anterior de ser julgado ou mesmo descriminado.
E a vida deve ser assim...livre, solta, leve...assuntos não devem ser restritos a pequenos grupos, pessoas não podem ficar medindo palavras para com outras com medo de magoá-las, e muito menos devem julgar ou ter medo do julgamento alheio...julgamento esse que só existe porque ainda existe o pré-conceito de uns para com outros. Somos todos iguais perante tudo, perante a vida e perante a morte, então quem somos nós, para ficar julgando um ou outro????
Igualdade!!!!


Hoje comigo é assim...eu prezo pela minha igualdade e pela igualdade do outro, de você, e de você também...

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