Último texto da trilogia, para fechar a linha de
pensamento....
Se tem algo que minhas últimas relações me ensinaram, foi
que algumas barreiras, quando caem, são ótimas, e deixam qualquer relação, seja
entre namorados, familiares ou amigos, perfeita.
Uma dessas barreiras, que eu ainda tinha em minha vida, era
muito mais de nível social do que qualquer outra em particular.
Eu sempre fui uma pessoa reservada, que demorou muito para
se assumir e que mesmo assim me mantinha no anonimato, mantinha minha vida
dentro de um quarto escuro, com medo de ser julgado e descriminado.
Com o tempo, isso foi se perdendo, foi sendo deixado de
lado, principalmente quando eu percebi que não era mais julgado, nem pela
sociedade e nem pela minha própria família, pois isso ainda era um medo muito
presente.
As diversas relações, os diversos caras com quem eu saí, as
diversas pessoas que passaram pela minha vida, cada uma com seu jeito, com suas
qualidades, seus defeitos, seu caráter, cada qual com suas particularidades,
foram me mostrando que existe sim uma diversidade incrível, e cada qual soube,
por um jeito ou outro, me deixar uma marca, que eu usei a meu favor, para que o
meu medo, os meus pré-conceitos, fossem sendo derrubados.
A última barreira que veio a baixo, veio com meu último
relacionamento, que foi curto e tumultuado, resultando em uma separação
esperada, porém não menos dolorosa.
Mas, como todos os outros, ele soube me deixar uma lição, a
da igualdade.
Somos todos iguais perante os olhos de algo maior, mas
perante os olhos de outros semelhantes, achamos que somos diferentes. E foi
justamente isso que aprendi, que não somos, e que podemos sim, além de
devermos, nos fazer notar pelas nossas qualidades, pelo nosso caráter, e não
por com quem nos relacionamos.
O conceito de igualdade que eu quero aqui deixar claro, não
é aquele de que somos só todos iguais, é que não precisamos mais ter medo de
deixar transparecer o que somos, pois somos como qualquer outro. Não é o fato
de eu me relacionar com homens que vai me desabonar em uma sociedade, é o meu
caráter que me define, nada mais.
Hoje, para mim, ter um namorado, falar sobre ele, levá-lo a
lugares que freqüento, apresentá-lo, ou mesmo conversar sobre ele ou sobre
outro ex, ou sobre um futuro pretendente, é algo natural para mim e para os que
me rodeiam, pois eu derrubei a barreira não só do preconceito com o gay, mas derrubei
a barreira do “assunto proibido” que é o relacionamento gay, que por melhor que
esteja sendo discutido em nossa sociedade pela mídia, ainda é assunto delicado
em níveis sociais básicos, como amigos, colegas ou mesmo familiares.
Hoje, conversar comigo sobre relacionamentos, sobre
pretendentes, sobre ter ou não ter namorado, deixou de ser aquele assunto
restrito a amigos gays, e se tornou um assunto aberto, sem pudores, que como
qualquer outro assunto, pode e deve ser conversado de igual para igual com a
família, com amigos héteros, com pessoas que estão no meu dia a dia, sem o medo
anterior de ser julgado ou mesmo descriminado.
E a vida deve ser assim...livre, solta, leve...assuntos não
devem ser restritos a pequenos grupos, pessoas não podem ficar medindo palavras
para com outras com medo de magoá-las, e muito menos devem julgar ou ter medo
do julgamento alheio...julgamento esse que só existe porque ainda existe o pré-conceito
de uns para com outros. Somos todos iguais perante tudo, perante a vida e
perante a morte, então quem somos nós, para ficar julgando um ou outro????
Igualdade!!!!
Hoje comigo é assim...eu prezo pela minha igualdade e pela
igualdade do outro, de você, e de você também...
Um dia eu chego lá! Aí! Ou não! Mas fico feliz por você tê-lo alcançado!
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