Se tem algo que eu fico admirado nessa vida, é como ela dá
voltas...e se soubéssemos o quanto de voltas ela daria, será que mudaríamos???
Recentemente minha turma do que comumente chamamos de
“ginásio”, ou anteriormente chamada de ensino fundamental (1ª a 8ª série da
década de 80), foi se reencontrando através do Facebook. Primeiro foram alguns
poucos, os mais íntimos que ainda tinham contato, depois a esfera foi se
ampliando, colegas de classe foram sendo lembrados e procurados, e de uma hora
para outra, um grupo se formou...se reencontrou.
Mais recentemente ainda, esse grupo resolveu se reunir, se
encontrar em uma data específica. E assim foi feito.
Dessa primeira vez, não fui. Muitos foram, mas a data
escolhida me impedia por motivos profissionais de comparecer. Muito se falou,
muitas fotos foram feitas, muitas histórias foram lembradas. E um próximo
encontro foi marcado para um futuro próximo
Da segunda vez, quando esse encontro chegou, eu fui. Estava
lá...
Olha, é algo estranho, algo diferente, e algo encantador de
certo modo.
É estranho rever algumas pessoas depois de tanto tempo,
ainda mais porque essas mesmas pessoas estavam todo o tempo na mesma cidade que
você, e simplesmente, você e elas, não se cruzavam, não estavam no mesmo lugar
durante todos esses anos, durante mais de duas décadas.
É estranho, ao rever pessoas que você deixou de ver aos 14
anos de idade, que de algum modo, elas não mudaram fisicamente, ou mudaram
muito, mas aquele olhar, aquela risada, aquele trejeito, ainda está lá,
presente, e te leva de volta ao passado, revirando todas as suas memórias,
remexendo em todo aquele baú antigo que aparentemente estava fechado e esquecido
naquele canto escuro...
É estranho, é literalmente estranho ver o caminho que alguns
tomaram, os casamentos que tiveram ou que não tiveram, ou ainda os casamentos
desfeitos; é estranho ver os filhos crescidos, alguns com idade superior aquela
que tínhamos quando nos separamos.
É estranho...
Mas ao mesmo tempo em que é estranho, é diferente; e é
diferente justamente porque a vida tem disso, tem essas surpresas, tem essas
diferenças de vidas, onde cada um tomou um caminho, onde cada um escolheu um
companheiro, onde cada um achou um meio de viver a tua vida de forma plena.
É diferente olhar para aquele teu antigo colega de classe e
ver nele, ou nela, um homem ou mulher adulto, com filhos, com esposa ou marido,
com carro, casa, trabalho, doenças, preocupações, dores e reclamações; coisas
que antes, naquela idade, poucos pensavam nisso, poucos pensavam nessa idade
que agora temos e em todo o peso que ela carrega.
Mas, acima de tudo, é encantador.
É, porque com tudo o que conversamos, com todas as mudanças
que todo mundo passou, com todo o peso que a vida adulta trouxe, de certo modo,
ao nos reencontrarmos, ao nos reunirmos, a vida nos levou de volta a década de
80, aqueles bons momentos juntos, aquele tempo em que a única preocupação era a
prova de matemática, a corrente da bicicleta que soltara, ou a aula de educação
física com aquele professor chato.
É encantador voltar a idade de 14 anos, e ver que nada, nem
ninguém poderia ter sido mais feliz do que nós fomos.
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Sobre o grupo, conseguimos reunir uma grande maioria, claro
que infelizmente não foram localizados alguns, que simplesmente sumiram nesse
mundão... Outros não puderam participar, porque infelizmente se foram antes do
tempo. Do nosso grupo com uma média de 80 pessoas, 5 já faleceram, todos com
menos de 30 anos de idade.
Outro grupo simplesmente nos ignorou, não quis mais contato,
e assim foi respeitado. Alguns ainda não puderam estar presentes por motivos de
viagens, de férias, de viverem em outros países...mas a grande maioria estava
lá.
Fisicamente, poucos não mudaram nada, outros poucos ainda,
melhoraram, infelizmente, a grande maioria sentiu o peso da idade. Doenças,
acidentes, descuidos físicos, mostram claramente a idade que têm, quando não
mais...
A grande maioria casou, poucos descasaram, todos, com
exceção de mim, têm alguém, e com a exceção de muito poucos, todos tiveram um
ou mais filhos.
Algumas situações se inverteram, ou pelo menos devem ter
pego de surpresa alguns durante o decorrer da vida. A garota que zoava, junto
com outras e outros o fato de eu não ser assim tão “menino”, tem o irmão gay. O
mesmo aconteceu com outro colega de classe. E o mesmo aconteceu com outra, que
se descobriu lésbica e assumiu a relação...coisas impensadas naquela época de
grande preconceito, mas que agora, olhando assim, da até aquela satisfação de
ver que a vida passou e trouxe ótimos ensinamentos a todos.
Enfim, foi um ótimo reencontro, com a promessa de outros e
com a retomada de algumas amizades antigas...
A vida é assim, dá voltas e reviravoltas.....ta aí a sua
maior beleza!!!
super legal isto ... deve ser fantástico mesmo ... eu por aqui nunca consegui reunir ne a turma das faculdades q eu fiz ... aff ... coisas de cidade metida a grande ... uma pena mesmo ...
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