segunda-feira, 28 de julho de 2014

24 anos depois...



Se tem algo que eu fico admirado nessa vida, é como ela dá voltas...e se soubéssemos o quanto de voltas ela daria, será que mudaríamos???

Recentemente minha turma do que comumente chamamos de “ginásio”, ou anteriormente chamada de ensino fundamental (1ª a 8ª série da década de 80), foi se reencontrando através do Facebook. Primeiro foram alguns poucos, os mais íntimos que ainda tinham contato, depois a esfera foi se ampliando, colegas de classe foram sendo lembrados e procurados, e de uma hora para outra, um grupo se formou...se reencontrou.

Mais recentemente ainda, esse grupo resolveu se reunir, se encontrar em uma data específica. E assim foi feito.
Dessa primeira vez, não fui. Muitos foram, mas a data escolhida me impedia por motivos profissionais de comparecer. Muito se falou, muitas fotos foram feitas, muitas histórias foram lembradas. E um próximo encontro foi marcado para um futuro próximo
Da segunda vez, quando esse encontro chegou, eu fui. Estava lá...

Olha, é algo estranho, algo diferente, e algo encantador de certo modo.
É estranho rever algumas pessoas depois de tanto tempo, ainda mais porque essas mesmas pessoas estavam todo o tempo na mesma cidade que você, e simplesmente, você e elas, não se cruzavam, não estavam no mesmo lugar durante todos esses anos, durante mais de duas décadas.
É estranho, ao rever pessoas que você deixou de ver aos 14 anos de idade, que de algum modo, elas não mudaram fisicamente, ou mudaram muito, mas aquele olhar, aquela risada, aquele trejeito, ainda está lá, presente, e te leva de volta ao passado, revirando todas as suas memórias, remexendo em todo aquele baú antigo que aparentemente estava fechado e esquecido naquele canto escuro...
É estranho, é literalmente estranho ver o caminho que alguns tomaram, os casamentos que tiveram ou que não tiveram, ou ainda os casamentos desfeitos; é estranho ver os filhos crescidos, alguns com idade superior aquela que tínhamos quando nos separamos.
É estranho...

Mas ao mesmo tempo em que é estranho, é diferente; e é diferente justamente porque a vida tem disso, tem essas surpresas, tem essas diferenças de vidas, onde cada um tomou um caminho, onde cada um escolheu um companheiro, onde cada um achou um meio de viver a tua vida de forma plena.
É diferente olhar para aquele teu antigo colega de classe e ver nele, ou nela, um homem ou mulher adulto, com filhos, com esposa ou marido, com carro, casa, trabalho, doenças, preocupações, dores e reclamações; coisas que antes, naquela idade, poucos pensavam nisso, poucos pensavam nessa idade que agora temos e em todo o peso que ela carrega.

Mas, acima de tudo, é encantador.
É, porque com tudo o que conversamos, com todas as mudanças que todo mundo passou, com todo o peso que a vida adulta trouxe, de certo modo, ao nos reencontrarmos, ao nos reunirmos, a vida nos levou de volta a década de 80, aqueles bons momentos juntos, aquele tempo em que a única preocupação era a prova de matemática, a corrente da bicicleta que soltara, ou a aula de educação física com aquele professor chato.
É encantador voltar a idade de 14 anos, e ver que nada, nem ninguém poderia ter sido mais feliz do que nós fomos.

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Sobre o grupo, conseguimos reunir uma grande maioria, claro que infelizmente não foram localizados alguns, que simplesmente sumiram nesse mundão... Outros não puderam participar, porque infelizmente se foram antes do tempo. Do nosso grupo com uma média de 80 pessoas, 5 já faleceram, todos com menos de 30 anos de idade.
Outro grupo simplesmente nos ignorou, não quis mais contato, e assim foi respeitado. Alguns ainda não puderam estar presentes por motivos de viagens, de férias, de viverem em outros países...mas a grande maioria estava lá.

Fisicamente, poucos não mudaram nada, outros poucos ainda, melhoraram, infelizmente, a grande maioria sentiu o peso da idade. Doenças, acidentes, descuidos físicos, mostram claramente a idade que têm, quando não mais...
A grande maioria casou, poucos descasaram, todos, com exceção de mim, têm alguém, e com a exceção de muito poucos, todos tiveram um ou mais filhos.
Algumas situações se inverteram, ou pelo menos devem ter pego de surpresa alguns durante o decorrer da vida. A garota que zoava, junto com outras e outros o fato de eu não ser assim tão “menino”, tem o irmão gay. O mesmo aconteceu com outro colega de classe. E o mesmo aconteceu com outra, que se descobriu lésbica e assumiu a relação...coisas impensadas naquela época de grande preconceito, mas que agora, olhando assim, da até aquela satisfação de ver que a vida passou e trouxe ótimos ensinamentos a todos.

Enfim, foi um ótimo reencontro, com a promessa de outros e com a retomada de algumas amizades antigas...

A vida é assim, dá voltas e reviravoltas.....ta aí a sua maior beleza!!!

Um comentário:

  1. super legal isto ... deve ser fantástico mesmo ... eu por aqui nunca consegui reunir ne a turma das faculdades q eu fiz ... aff ... coisas de cidade metida a grande ... uma pena mesmo ...

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