quarta-feira, 30 de julho de 2014

O beijo roubado



Devo admitir, que apesar do meu jeito marrento (que digam os que me conhecem), eu sou um cara extremamente romântico, e proporcionalmente tímido. Por isso, fazer algumas coisas “extravagantes” acaba sendo algo que me tira da linha...como nesse caso.

Roubar um beijo, dentro do carro, em pleno sábado pela manhã, não estava nos meus planos, nem nos dele; ainda mais depois dele ser surpreendido com o carro parando ao lado para lhe dar carona. Mas, aprendi que oportunidades são para serem aproveitadas, e lá estava eu, ele, meu carro, e porque não, parar????
Quando nossos corações já estavam voltando ao ritmo normal, e a mão direita dele se aproximava da trava de abertura da porta, após pararmos na frente de teu prédio, sem pensar, ou mesmo por um instinto, não tive dúvida, segurei-o pela nuca, e roubei-lhe um beijo. Rápido, lento, sem jeito, mas que durou o tempo suficiente para nos aproximarmos mais, e ali mesmo, o peito dele repousar sobre o meu...
Nessa altura, ao olhar pelo retrovisor e vê-lo indo, meu coração estava tão ou mais acelerado que momentos antes, e eu vibrava por dentro como uma criança inocente que ganhou o melhor presente que poderia desejar. Meu sorriso era enorme, minha alegria contagiante, e a vontade de colocar a cabeça para fora da janela e gritar só não foi forte o suficiente para romper com o meu padrão de comportamento de bom moço...que da próxima vez será devidamente jogado no lixo...hehehehe.

Vinte minutos após, meu celular vibra, avisando da mensagem dele, que dizia em pouca linha que o coração dele estava na boca, e que desejava que as horas voassem para que nos encontrássemos novamente no dia seguinte.
E assim foi feito naquele final de tarde ensolarado de domingo. E assim foi feito, nos diversos finais de tarde de todos os domingos seguintes, todas as noites de todas as semanas seguintes.
Passaram-se semanas, sessões de cinema, jantares com tapioca, cafés à noite, mensagens de bom dia e de boa noite, mensagens carinhosas ao longo dos dias. Passaram-se...

Do mesmo jeito que foi um beijo roubado, foi também um coração furtado, que se apaixonou loucamente e sem explicação, que se deixou levar pela emoção, pelo encanto, pelo desejo de congelar o tempo e ficar, naquele quarto, naquela cama, naquele momento, onde ele se aconchegava em meus braços; naquela mesma cama onde ele me disse, após a primeira noite, que meu perfume lá tinha ficado, e que ele dormira feliz, me sentindo junto de ti.

A paixão durou o tempo exato que teria que durar, ou não; o amor ainda é vivo. Diz o ditado, ou o poeta, ou a música, que a paixão é fogo que arde sem se ver; pois essa ardeu, forte, com bastante lenha, viva e vívida, e como uma balde d’água, o destino fez o seu trabalho e apagou as labaredas. Por força dele, do destino (ou seria fraqueza?), a paixão se diluiu, se apagou ou ficou apenas uma brasa, fraca e quase cinza, que está lá, presa dentro do coração de ambos, esperando que algo a faça brotar, mas que por hora, está lá, quieta...

E como lido outro dia, "Quieto, muito quieto é que a gente chama o amor: como em quieto as coisas chamam a gente" de Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas. Quieto eu estou...

Mas, se ele pudesse ler esse texto, eu só diria: fica comigo!


5 comentários:

  1. "... que da próxima vez será devidamente jogado no lixo...hehehehe."

    Então... coloca a cabeça pra fora e grita (traduzindo: manda o texto - ou o convite - pra ele).

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  2. Manda o texto pro vivente, ora pois!!!! Daí além do beijo tu tb lhe rouba o coração!!!

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  3. E assim segue a vida o seu curso ... mas aqui entre nós ... eu arriscaria uma cutucada ... ah! se arriscaria ...

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  4. Quem não arrisca, não petisca... Rs

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  5. Grisalho, eu arrepio, só de pensar nessas histórias. Ler uma dessas, com esse sentimento todo que vc colocou, apenas me deixou mais Poliana do que normalmente eu já sou. Mas cabem perguntas (eu uso notificações, então pode responder que eu acompanho):

    1. Porque ele não pode de ler?

    2. A paixão acaba, mas o amor se transforma. Passa desse amor avassalador que a gente conhece bem no início de um relacionamento, para uma amor mais brando, como aquele fogo baixo que cozinha sem queimar. Vc não acredita nisso?

    No mais, tudo deve ser aproveitado. Eterno, enquanto dure. Apesar de que a eternidade é tempo demais. Vamos viver um dia por vez? Um suspiro por vez. Não tenho receita para nada, mas uma boa dose de paciência (minha e dele) está no forno para completar 9 anos. Vem também. Não é avassalador, mas é aconchegante.

    Vale a pena.

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