domingo, 3 de agosto de 2014

Os três...



Marcos sempre foi o cara romântico, que sempre desejou ser amado. Já foi, teve alguns namorados, um casamento de 5 anos, mas a solidão chegou um dia e não mais foi embora.
Apesar de todos os esforços, de todos os encontros, de todas as investidas, ele não conseguia mais achar um companheiro para teu coração, esse mesmo coração que ainda batia forte, mas que lamentava bater sozinho.
Mesmo com essa solidão presente, não era sozinho. Tinha seus amigos, sua família, seu cachorro, e preenchia seu tempo como podia, dividindo-se entre seu trabalho na clínica veterinária e suas horas de lazer, no cinema, no clube, ou mesmo em frente à TV jogando.
Mas, ainda assim, queria achar novamente alguém; desejava que sua vida pudesse ser compartilhada com outro.

Lucas era um homem realizado. Empresário de sucesso no setor de turismo, dono de uma bela agência de viagens, rodou o mundo, sempre em busca de roteiros exóticos, o que fez que se destacasse no setor. Conheceu as mais variadas culturas, uma diversidade enorme de pratos gastronômicos, e pôde amar vários caras durante as suas viagens.
Mas, agora, com a idade, seu coração se aquietou. Não viajava mais a trabalho, só a lazer, não sentia mais prazer em ter vários amantes, queria sim apenas um, apenas um companheiro. Queria poder chegar em casa, e ter ao lado aquele sorriso lindo, aquele abraço apertado, aquele amor que com ele seguiria para todo o resto de tua vida...

Cássio era inteligente, bonito, alegre e sempre de bom humor, e era também o mais novo promotor daquela corte. Chegou aonde chegou por mérito próprio, sem indicação, sem apadrinhamento, por estudo e dedicação, e se orgulhava disso. Se orgulhava também de ser bonito, de vir de boa família, simples, mas uma família que sempre deu valor para os estudos e para o caráter.
Sabia que agora sua vida estava planejada, tinha um futuro garantido, um bom emprego, uma boa renda, seu apartamento recém mobiliado, e seu coração, solitário. Já tinha um certo tempo que estava solteiro, sem ninguém para lhe fazer companhia, para dividir as alegrias dessas últimas conquistas.


Certo dia seus caminhos se cruzaram...

Lucas precisou levar o cachorro de tua irmã ao veterinário dele, ao qual nunca tinha ido, e era justamente na clínica de Marcos.
Marcos teve um dia que participar como testemunha de um processo judicial, e teve que conversar com Cássio.

Dessas relações, surgiram amizades, que foram forjadas entre cervejas no final de tarde, jantares aos sábados, sessões de cinemas nas tardes de domingo, finais de semana na casa de praia de Lucas, ou no apartamento de Cássio, ou mesmo no sítio de Marcos.
Cada um ao seu modo, com seu estilo se aproximou do outro, quebrou barreiras que antes nem imaginavam que tinham. Cada um soube ser mais flexível, soube deixar o outro se aproximar, soube permitir que o amor fosse entrando novamente em seu dia a dia.
Cada qual experimentou novamente o que é ser amado, ou o que é amar alguém...



Lucas se apaixonou perdidamente por Marcos, que permitiu que este se aproximasse e ficasse presente, sem lhe dar esperanças; Marcos se apaixonou por Cássio, e Cássio permitiu que Marcos se aproximasse, que fizesse a corte, que lhe seduzisse, e lhe deu alguma esperança; Cássio se deixou seduzir por Marcos, mas seu coração ainda estava entre barreiras, as quais nem ele sabia se queria que fossem derrubadas...

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