quarta-feira, 15 de julho de 2015

Confessional



Eu disse que não iria mais escrever textos confessional, mas não pude deixar de elaborar essa carta.......mesmo porque, dentro dela contém diversos assuntos que podem gerar outros assuntos...e disso que gosto muito...


Carta ao ex-quase-ficante-possível namorado...

Não lembro ao certo a data em que começamos a conversar; só me lembro sim que foi por conta da foto das tuas pernas naquele perfil daquele aplicativo, que também não me recordo o nome. Mas lá estava você, com uma bela foto, sem idade anunciada, e com outra descrição de perfil que me chamou a atenção.
Foi de imediato, eu te dei aquele “oi” e obtive outro de resposta. Em menos de uma dúzia de linhas de conversa, trocamos as fotos e os contatos reais, para continuarmos com essa mesma conversa de forma mais tranqüila...e que assim foi feito por mais vários dias...

Era bem época de final de ano, época em que naturalmente, muitas pessoas se sentem carentes, e acho sim que éramos desses. Confesso que aquelas poucas semanas conversando contigo, sim, pensei que pudesse ter algo além de um simples bate-papo virtual...que foi o que quase tentamos...
Mas, devo confessar, que você ser de outra cidade, mesmo que relativamente próxima, acaba com meu tesão. Digo até que meu tesão por qualquer homem limita-se ao perímetro urbano da minha cidade...fora isso, vou pensar duas, três, quatro.....vezes para me deslocar e conhecer alguém.
Sim, nesse ponto sou limitado, e essa limitação vem por vários motivos, aqueles mesmo que já te falei, que vão desde a logística envolvida até o fator monetário...e você bem que entendeu e concordou com minhas razões (ou justificativas, que seja...).
Além disso, também vou confessar que se eu tivesse ido até tua casa, acabaria te levando pra cama, pois você é lindo, estava afim, eu também estava, e o caminho mais provável seria esse mesmo. Se de lá, iríamos continuar conversando ou se iríamos continuar na cama, jamais saberemos, porque eu escolhi não ir. E nessa escolha, além das justificativas acima, também pode incluir que depois de pensar minimamente, eu não estava afim de te levar pra cama...sei lá...as vezes isso me acontece, mesmo com todo o tesão que eu possa ter por ti.

Nada mais natural que depois disso, nossas conversas rareassem...e foi o que aconteceu.
Nosso contato limitava-se a gostar ou não das nossas fotos no Instagram, a comentários até com duplo sentido, mas que poderiam muito bem passar despercebidos (ou inocentes), e nada mais além disso.
Isso até eu receber aquela tua mensagem, do nada, dizendo que viria pra cá, e que finalmente, queria me conhecer. Achei estranho, inusitado, até porque além daquele primeiro “bolo” eu tinha também dado mais dois, em tentativas anteriores...mas, porque não, era um domingo, eu não tinha nada programado, e poderia ser uma boa conversar contigo.
E assim fui...marcamos, chegamos, sentamos...

Confesso que logo de início eu tive a certeza de que você não só era lindo como eu já tinha visto pelas fotos, você É muito lindo. De todos os homens com que eu já me relacionei, você é o mais lindo que já apareceu na minha vida. Se eu fosse te colocar dentro dos estereótipos que eu gosto, é bem provável que você gabarite a lista.
Mas lá estava eu, lá estávamos nós, conversando, nos conhecendo e, sim, eu servindo de (mais uma vez) confidente para um amigo. É meio comum isso acontecer comigo, talvez porque eu passe confiança, ou porque as pessoas saibam que nunca contarei nada, eu até costumo dizer que sou um “poço sem fundo”...pode falar que nunca vai ficar cheio.
E nessas e outras confidências, entre pessoas que passaram pela tua vida, e que eu (inevitavelmente) conheço, a conversa foi se desenvolvendo, e daí fui aos poucos te conhecendo...
Esse te conhecer, confesso que me assustou um pouco, desfez um pouco daquela minha imagem inicial que tinha sobre ti. Ainda te achava (e sempre acharei) um homem lindo, lindo, lindo...mas que perde um pouco o encanto quando se vê o interior.
Não quero te humilhar, nem falar mal de ti, mas te falta encanto além da beleza, te falta repertório, te falta conteúdo...você precisa crescer mais, e não digo isso pela sua pouca idade, mas sim você precisa crescer mentalmente, sair desse teu mundo simplista de cidade pequena, de escritório, de consumo desenfreado e ir além.
Conversar contigo sobre beleza, e você não saber quem (ou o que) era a Monalisa, foi tão excitante quanto conversar com uma porta. Não trata-se de ser um especialista, de ser pedante, de ser expert....trata-se de saber conversar, de ter referências, de saber que o mundo é maior que o limite ao qual você se encontra.
E olhe, se você até tentar se justificar dizendo que eu também sou limitado por não aceitar (ou tentar) relacionamento a distância, sinto muito, mas você não conseguirá obter de mim respeito pelo teu argumento. O meu limite não é nem perto do que o teu limite chega. O meu limite está muito mais ligado ao meu acreditar em mim, do que o teu, que demonstra claramente que teu mundo rompe com as leis do universo, e gravita ao teu redor.

Mesmo eu te dizendo tudo isso, existe algo em ti, e não é a tua beleza, que me conquistou; talvez seja até mesmo esse teu não-conteúdo, talvez seja um sentimento de que eu posso fazer por ti, ou talvez seja aquela sensação de empatia que existe com o semelhante; não sei, só sei que o desejo é esse, de ficar ao teu lado, não mais com aquele tesão que eu tinha (ou teria), mas sim como outro alguém que segue ao teu lado.

Nem sei bem o que lhe dizer, ou melhor, acho que só posso te dizer...seja bem vindo!

Um comentário:

  1. a incompletude do SER é a única coisa q a natureza falhou ... seria perfeita se isto fosse possível ... ou não?

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