Chegar aos 33 anos solteiro, me faz pensar em várias coisas.
Eu sempre tive uma visão clara do futuro, um desejo por assim dizer. Me imaginava com 30 anos, profissional bem sucedido, dono de meu próprio escritório, com uma carreira brilhante, um carro legal, um apartamento bem montado, recheado de móveis de design (bem ao meu estilo) e com uma renda acumulada no banco o suficiente para me garantir uma vida boa e as minhas viagens tão sonhadas,
Bom, nem preciso dizer que boa parte disso não se realizou. Os 30 anos se passaram; o escritório, confesso, já tive e fechei, o carro é zero (pela segunda vez) mas é básico, o apartamento ainda não se realizou e nem tenho data prevista para ele, as viagens estão em planejamento, e a carreira bem sucedida, bom, não posso negar que tenho uma carreira legal, mas que invejo (às vezes) quem tem uma melhor, confesso.
Mas aos 33 anos às vezes me sinto mais jovem. Não sei se isso é bom ou mal, se é algo que acontece só comigo ou se é um sintoma que contagiam mais alguns; mas reconheço, muitas vezes acabo esquecendo que tenho a idade que tenho.
Crise de idade prematura???? Não sei bem ao certo...
As vezes tenho vontades e comportamentos que não correspondem a minha idade cronológica. Quero sair para beber muito, dançar demais, correr com o carro. Adoro sentar na calçada com uma amiga e jogar conversa fora como se tivéssemos 10-12 anos, desejaria ter um namorado que sentasse comigo no parque e ficássemos lá a tarde toda, lendo, sorrindo, olhando as nuvens do céu. Prefiro os carrinhos de bate-bate dos parques às montanhas-russas, prefiro a pipoca na praça aos amendoins da mesa do bar.
Reconheço que muitas vezes me porto como mais jovem, e me visto muitas vezes assim. Meu armário tem mais camisetas que camisas, mais jeans que calças sociais, e a coleção de All Star ganha no momento de 8 pares contra apenas um par de sapatos social. Não uso relógio, minha pasta de papéis nunca foi preta, e nem a mochila do notebook é séria (muito pelo contrário, é colorida demais até).
Fico a olhar para outros da minha idade e muitas vezes a tentar entender o que se passa. Vejo colegas de ginásio, com a mesma idade que eu, e já são pais ou mães, casados, com um, dois, três filhos às vezes. Daí eu me lembro, ops, sou gay. Não que isso seja impedimento, mas reconheço que ter um companheiro, uma família, é um pouco mais complicado, mas não menos provável ou impossível.
Olho para as mesmas pessoas e as vejo mudadas; os homens engordaram, são por vezes carecas ou barrigudos; daí me olho no espelho, continuo com a mesma cara de antes, um pouco mais velha em função da barba deixada, o cabelo é grisalho, mas pelo menos a quantidade é enorme, e a barriga, sim, ela também existe, mas é bem menor em proporção, e apesar disso ainda uso calça tamanho 44.
Olho para meus bens e vejo o quanto eu conquistei, são poucos, mas são meus. Vejo o dos outros e sim, sinto uma ponta de inveja, pois às vezes tem mais ou melhores, mas a que preço? Ao preço de trabalhar 16 horas por dia? De não ver os filhos, a família? De chegar aos 33 com aparência de 43? Acho que prefiro os meus conquistados com suor, mas também com prazer.
Chegar aos 33 anos solteiro me faz refletir sobre muitas coisas, inclusive no fato de estar solteiro. Não foi por opção, ou foi, mesmo que seja uma opção oculta. Mas estar solteiro mexe com o meu íntimo, mexe demais com meus sentimentos. Sempre desejei alguém, sempre desejei dividir minha vida com alguém, mas ao mesmo tempo sempre adorei a liberdade, o individualismo, a possibilidade de caminhar sozinho.
Acho que paguei com minha boca o meu sonho...
Sei lá...são 33 anos com alma de 20, desejos de 25, cabeça de 40, corpo de 30, romantismo de 15. Um mosaico.
Dizem que a beleza do mosaico está em ser visto ao longe, pois de perto se vêem os defeitos.
Dever ser verdade...
“Todo jardim começa com um sonho de amor.
ResponderExcluirAntes que qualquer árvore seja plantada ou qualquer lago construído é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma.
Quem não tem jardins por dentro, não planta jardins por fora, e nem passeia por eles.”
(Rubem Alves)
Agora permita me discordar apenas de uma coisa (para variar kkk)... apenas os mais desatentos acreditam que a beleza do mosaico esteja em ser visto de longe... porque para aqueles que são um pouquinho mais observadores... logo percebem que apesar da beleza que o mosaico apresenta de longe ... a verdadeira mágia está na beleza intrinseca que é observada em cada uma de suas peças individuais. Com seus "defeitos", imperfeições e nuances...
Entendeu?! ;-)
Por que cada idade tem que vir atrelada a um momte de expectativas de outros sobre nós? Se a gente se deixa levar por isto, então sempre vai ter uma série de coisas que a gente não conquistou. Bom mesmo é ver o quanto a gente cresceu até o presente momento e acreditar que o resto virá. Bj
ResponderExcluirQue texto bonito, meu amigo.
ResponderExcluirE, te confesso, me vi um pouco aí.
Mesmo estando com 27, muitas coisas são comuns, acho, que principalmente, uma certa inadequação.
Dae, me pergunto: se passar, será melhor?
Bjos e saudade!
entendo perfeitamente tudo o que escreveu. faço 33 em junho e também me pego, às vezes, com comportamentos que não 'seriam' de nossa idade. mas acho que a graça é esta: continuar sempre com graça.
ResponderExcluiros projetos, os sonhos, estão em construção permanente, mas chego aos 33 com um namoro que me acalma, com alguém que me faz ter novos sonhos. e me faz sentir jovem, porque ele também guarda a inocência dos 20...
enfim, sigo feliz apesar das adversidades...
abraço, alex