quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A qualquer preço

                Hoje pela manhã, andando pelo centro da cidade, um senhor me entregou um papel, daqueles pequenos papéis que são entregues nas esquinas de qualquer centro de qualquer cidade desse enorme país. Peguei o papel e fui ver o que estava escrito, era propagando de uma astróloga, taróloga e o que mais convier a ela ser.
                Mas o que me chamou a atenção foi a seguinte frase, em negrito, destacada no meio do papel, como todo o destaque que deve ter uma boa (?) propaganda...

“Trago seu amor de volta, por mais difícil que seja.”

                Confesso que ao ler isso, um leve sorriso começou a se formar em meus lábios. E não era um sorriso sarcástico e nem de empolgação, afinal, eu não iria utilizar os serviços dela mesmo, e muito menos menosprezei seus dotes esotéricos...
                Mas, me peguei pensando em o quanto importante é, para todo mundo, ter um amor para chamar de seu...
                Não que eu menospreze isso, não que eu desdenhe, não que eu também não ache importante e muito menos não queira esse amor ao meu lado; mas fico a pensar se é só isso que importa na vida dos outros. Porque todo mundo, ou pelo menos a grande maioria das pessoas que eu conheço, acham importantíssimo ter um amor???

                Será que não existe mais nada importante nessa vida? Será que a vida mesmo, não é algo importante o suficiente, para precisarmos de alguém ao lado para daí sim, achar que ela está completa?
                Não sei, me pego em pensamentos enormes, para não falar nababescos, de que existe tanta coisa maior nessa vida, do que simplesmente dar tanta importância a outro... Me pego pensando, quando as pessoas vão realmente se dar conta de que elas são importantes para elas mesmas; quando é que vão pensar em ser alguém, ter uma profissão, ter uma cultura, construir algo sólido em suas vidas pessoais, quando é que vão aprender a fazer o bem...
                Sabe, acho muito mais importante o ser humano olhar primeiro para si mesmo, conhecer a si mesmo, aprender a se respeitar e depois a respeitar os outros; aprender que não precisa depender emocionalmente de outras pessoas; aprender que pode sim ser capaz de fazer o bem, do que simplesmente ficar a procurar um “grande amor” para se completar e daí sim, ser feliz...

                Quando as pessoas vão entender que nós somos completos? E que não precisamos de alguém para nos completar, e sim para nos complementar???

                Quando as pessoas vão entender que para ser feliz, não são necessários dois?????

6 comentários:

  1. Quando a "castração química" vier na cesta básica. Porque olha... complicado ficar sem um rala e rola, viu?

    (Mas suas questões nababescas são pertinentes!)

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  2. Está aí uma coisa q o homem dificilmente vai entender ... #fato

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  3. http://youtu.be/j8kYfPoHyos

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  4. Adorei o texto, tua abordagem, juro que gostaria de seguir esta cartilha, mas fazer o quê se a parte física clama, pede...mas sempre quis ouvir/ler algo assim. Me sinto melhor por estar só e não ser completamente infeliz, só um pouquinho. Gostei daqui, vi meu rei Bratz, tou te seguindo.
    ps. Carinho respeito e abraço

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  5. Quando as pessoas vão entender que o que torna uma pessoa feliz não é a mesma coisa que outra? Que parauma pessoa o amor é central, pra outras não, que cada ser humano na sua infinita diversidade só consegue ser feliz a sua própria maneira?

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  6. Bem complexo isso! Vamos ver se consigo comentar. Eu considero muito importante que tenhamos um amor. Porém não acredito que esse amor deva surgir, como num passe de mágica, para completar nossa vida. Aliás, nós somos compostos por várias facetas, como uma pedra lapidada tem um conjunto de “lados”, que a compõe. Eu penso que o amor é como o brilho dessa pedra. Ele não a modifica em sua estrutura, mas a torna muito mais luminosa. Consegue entender?

    Outra coisa: devemos nos dar sempre a importância que merecemos, que conquistamos por nossos esforços. Essa é nossa tarefa primordial. Não devemos delegar isso a ninguém. Entretanto, o amor nos torna mais importantes ainda, na medida em que podemos conjugar todos os verbos da nossa vida sempre na primeira pessoa do plural. E isso é muito bom!

    Abração.

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