sábado, 19 de julho de 2014

O exorcismo



Algumas situações acabam se repetindo em nossa vida, na minha pelo menos...e mesmo que se repitam, não são idênticas as anteriores, guardam sim alguma semelhança, mas cada qual tem/teve seu momento e sua especificidade.
Isso não quer dizer, que sejam fáceis de serem entendidas ou superadas, ou mesmo que seja fácil passar novamente por aquilo tudo.
Sempre digo que o amor é fácil, ele chega, se infiltra lentamente, e acaba ficando, de uma maneira carinhosa, aconchegante; mas o desamor, o deixar de amar, quando não se tem uma causa explícita, esse sim fere e corta a pele como uma fina folha de papel de seda, deixando uma cicatriz dolorida e latente...

Eu o amava, e ainda o amo, de um jeito inexplicável pelo pouco tempo juntos, e mesmo inexplicável, porque coisas do coração a mente não entende. Era uma situação estranha, eu e ele ainda estávamos ligados, e de certo modo acho que sempre estaremos, mas eu precisava cortar pelo menos parte dessa ligação.
Sempre me recordo, em situações como essa, da cena do filme “Comer, rezar, amar”, em que Elizabeth se encontra no terraço da ashram, e revive o momento da dança de seu casamento com o ex-marido, e ali, se despendem, deixando de terem um vínculo afetivo para assim poderem continuar vivendo suas vidas.

Não foi assim uma cena tão romântica como a do filme, confesso que foi muito mais um monólogo, ou como reflete o título, um exorcismo, onde eu falei, onde eu é que queria “expulsar” (no bom sentido da palavra) aquele sentimento que tinha dentro de mim para com ele, e que era preciso que ele escutasse, soubesse de tudo, e ainda mais, que soubesse que era eu, que mesmo amando-o, tinha que ir...
E foi o que fiz, deixei claro que meu amor ainda é e sempre será grande por ele, mas que não estava mais conseguindo suportar a dor lancinante de tê-lo, mas não possuí-lo, de amar e não ser correspondido por razões que desconhecia. Falei com todas as palavras e forças que meu coração suportou, entre lágrimas que escorriam pela minha face, que mesmo com todo esse amor, eu precisa ir, eu precisava deixar de amá-lo como homem que um dia tive em meus braços, que eu precisava partir, permitir que meu coração, mesmo machucado, tivesse oportunidade para encontrar outro amor.
Disse, com todo o amor que ainda tenho e terei por ele, que estava cansado de ser sozinho, e que ele, que não queria mais caminhar contigo, ficaria para sempre comigo, mas não mais como meu amor, e sim, que eu estava disposto a continuar meu caminho, a continuar minha procura, a continuar permitindo que meu coração encontre seu par...

Foi duro, de forma lenta, com uma dor cortante, mas foi preciso, foi um ato de amor e desamor ao mesmo tempo, foi um ato sem pensar, mas não impensado.

Foi uma sensação de alívio, onde a noite, a cabeça repousou no travesseiro, e mesmo tendo lágrimas que desciam lentamente dos olhos, eu adormeci bem...

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