A tarde estava quente, mas um
vento fresco entrava pela janela de teu quarto; já passava das 16 horas e ele
decidiu que iria caminhar no parque da universidade local. Calçou os tênis,
pegou um boné e os óculos de sol e foi praticar um pouco de exercícios ao ar
livre; já tinha ido nadar pela manhã, mas o dia estava tão lindo que achou
melhor sair do que ficar deitado em sua cama lendo.
O
radio do carro não sintonizava estação nenhuma, reproduzia sim uma lista já
conhecidas de músicas vindas do seu mp3, o qual precisava urgente ser reformulada
por músicas mais atuais. Mesmo assim, ele deixou o volume confortavelmente mais
alto em uma ou outra música que sempre gostava, e cantarolava junto durante o
trajeto longo e lento até o parque.
Avistou
uma vaga a distância, próximo da portaria principal, assim, caso precisasse
estaria perto do carro, mas qual não foi sua surpresa ao sair do retorno e
encontrar a vaga ocupada; por sorte, outra mais a frente e em tamanho maior
surgiu, o que facilitou sua manobra, mesmo ficando alguns metros mais distantes
do ponto inicial.
Seguiu
sempre o seu ritual, colocou os fones de ouvido, conectou-os no celular e
escolheu a listagem de música que preferia ouvir, colocou as chaves no bolso,
celular no outro, acertou o boné e os óculos, que apesar de estar em uma
sombra, eram necessários por também serem de grau. Entrou...
A
caminho da área central pensou se deveria ficar com o caminho tradicional que
todos fazem ou se deveria explorar caminhos alternativos, orientando-se pelo
sol, pelas árvores ou simplesmente por onde achava que deveria ir. Seu instinto
independente dizia para explorar tais caminhos, para se deixar surpreender com
o que fosse aparecendo. Então decidiu...
Decidiu
que iria pelo caminho tradicional, que dessa vez se encaixaria dentro dos
padrões, que arriscaria ir contra seus instintos pelo menos dessa vez. E foi o
que fez, chegou ao centro do parque e colocou-se a caminhar juntamente com
outros que lá estavam, no seu ritmo, ouvindo sua lista de músicas e também os
sons que ao redor insistiam em entrar pelas frestas de seus fones de ouvido.
Já
conhecia aquele caminho, e sabia que não haveria muito que olhar por ali, mesmo
assim, como era de sua natureza observadora, resolveu prestar atenção em tudo.
E foi ao realizar a primeira curva do caminho, que avistou logo abaixo daquele
enorme volume arbóreo, um banco, singelo, de concreto, sem encosto, que estava
ocupado por uma figura masculina sem maiores detalhes visíveis, por conta da
distância e dos poucos raios solares que permeavam a copa fechada.
Seu
olhar decidiu seguir naquela direção, mesmo o caminho apresentando outro
trajeto; foi chegando mais perto, mantendo parcialmente o caminho original, mas
alternando-o propositalmente para que pudesse ver com mais detalhes os
detalhes. Qual não foi sua surpresa quando percebeu que os olhos que até então
fitavam o livro aberto entre suas mãos, voltaram-se para os seus olhos, que o
olhavam mesmo por debaixo das lentes escuras de seus óculos. Não deixou de
perceber também, que junto desses olhos que agora o olhavam, se formou um
sorriso de canto de boca, daqueles bem pequenos, mas perceptíveis, daqueles que
sem nada a dizer dizem simplesmente tudo...
Sua
reação não podia ser diferente, afinal, o que se passava naquele momento tão
distante, mas ao mesmo tempo tão perto, e não teve dúvida ao retribuir o
sorriso com outro, de forma singela e proposital e acolhedora.
Nesse
momento, nesse ponto do caminho, seus olhares e seus sorrisos se cruzavam, mas
os passos continuavam e o continuavam levando para longe, para mais distante do
que gostaria. O que faria? Continuaria a caminhar? Desviaria de seu trajeto
para ir explorar outro? Por instantes não sabia a resposta, não ousava se
perguntar, pois ainda estava encantado com aqueles olhos sorridentes de
segundos atrás.
Seu
olhar ainda estava preso naqueles olhos, mas foi desviado quando este fechou o
livro ao qual suas mãos seguravam, e com uma delas pousou suavemente ao lado e,
em um movimento voluntário com a outra, fez-lhe um aceno convidativo; e essa
mesma mão pousou no banco e fez coro com todos os músculos daquele corpo para
em um movimento quase imperceptível, deslocá-lo e ceder o espaço para ele se
sentar.
E
por um breve segundo, ele decidiu que caminho tomar...
Dessa vez ele não virou a esquerda....sentou no banco.
ResponderExcluirVamos ver o que "os olhos" tem a mostrar.....
Tô gostando!!!
Beijos
E????? Continua!!! :-)
ResponderExcluirComo a história do post anterior acabou sem continuação, devo assumir que sucederá o mesmo com essa. Logo... (rs)
ResponderExcluirtem continuação?
ResponderExcluirUia! Pois é.... tem vezes que a decisão sobre qual caminho tomar se torna clara e cristalina diante de nós, nzé? Hehehehe! Continua? Ou vai pra lista? Hahaha! Bjos!
ResponderExcluirPoxa, assim não vale! E a expectativa, como fica? Hahaha!
ResponderExcluirAguardemos!
Abração!
PS: R...??