quarta-feira, 21 de novembro de 2012

R...


                  A tarde estava quente, mas um vento fresco entrava pela janela de teu quarto; já passava das 16 horas e ele decidiu que iria caminhar no parque da universidade local. Calçou os tênis, pegou um boné e os óculos de sol e foi praticar um pouco de exercícios ao ar livre; já tinha ido nadar pela manhã, mas o dia estava tão lindo que achou melhor sair do que ficar deitado em sua cama lendo.
                O radio do carro não sintonizava estação nenhuma, reproduzia sim uma lista já conhecidas de músicas vindas do seu mp3, o qual precisava urgente ser reformulada por músicas mais atuais. Mesmo assim, ele deixou o volume confortavelmente mais alto em uma ou outra música que sempre gostava, e cantarolava junto durante o trajeto longo e lento até o parque.
                Avistou uma vaga a distância, próximo da portaria principal, assim, caso precisasse estaria perto do carro, mas qual não foi sua surpresa ao sair do retorno e encontrar a vaga ocupada; por sorte, outra mais a frente e em tamanho maior surgiu, o que facilitou sua manobra, mesmo ficando alguns metros mais distantes do ponto inicial.
                Seguiu sempre o seu ritual, colocou os fones de ouvido, conectou-os no celular e escolheu a listagem de música que preferia ouvir, colocou as chaves no bolso, celular no outro, acertou o boné e os óculos, que apesar de estar em uma sombra, eram necessários por também serem de grau. Entrou...
                A caminho da área central pensou se deveria ficar com o caminho tradicional que todos fazem ou se deveria explorar caminhos alternativos, orientando-se pelo sol, pelas árvores ou simplesmente por onde achava que deveria ir. Seu instinto independente dizia para explorar tais caminhos, para se deixar surpreender com o que fosse aparecendo. Então decidiu...
                Decidiu que iria pelo caminho tradicional, que dessa vez se encaixaria dentro dos padrões, que arriscaria ir contra seus instintos pelo menos dessa vez. E foi o que fez, chegou ao centro do parque e colocou-se a caminhar juntamente com outros que lá estavam, no seu ritmo, ouvindo sua lista de músicas e também os sons que ao redor insistiam em entrar pelas frestas de seus fones de ouvido.
                Já conhecia aquele caminho, e sabia que não haveria muito que olhar por ali, mesmo assim, como era de sua natureza observadora, resolveu prestar atenção em tudo. E foi ao realizar a primeira curva do caminho, que avistou logo abaixo daquele enorme volume arbóreo, um banco, singelo, de concreto, sem encosto, que estava ocupado por uma figura masculina sem maiores detalhes visíveis, por conta da distância e dos poucos raios solares que permeavam a copa fechada.
                Seu olhar decidiu seguir naquela direção, mesmo o caminho apresentando outro trajeto; foi chegando mais perto, mantendo parcialmente o caminho original, mas alternando-o propositalmente para que pudesse ver com mais detalhes os detalhes. Qual não foi sua surpresa quando percebeu que os olhos que até então fitavam o livro aberto entre suas mãos, voltaram-se para os seus olhos, que o olhavam mesmo por debaixo das lentes escuras de seus óculos. Não deixou de perceber também, que junto desses olhos que agora o olhavam, se formou um sorriso de canto de boca, daqueles bem pequenos, mas perceptíveis, daqueles que sem nada a dizer dizem simplesmente tudo...
                Sua reação não podia ser diferente, afinal, o que se passava naquele momento tão distante, mas ao mesmo tempo tão perto, e não teve dúvida ao retribuir o sorriso com outro, de forma singela e proposital e acolhedora.
                Nesse momento, nesse ponto do caminho, seus olhares e seus sorrisos se cruzavam, mas os passos continuavam e o continuavam levando para longe, para mais distante do que gostaria. O que faria? Continuaria a caminhar? Desviaria de seu trajeto para ir explorar outro? Por instantes não sabia a resposta, não ousava se perguntar, pois ainda estava encantado com aqueles olhos sorridentes de segundos atrás.
                Seu olhar ainda estava preso naqueles olhos, mas foi desviado quando este fechou o livro ao qual suas mãos seguravam, e com uma delas pousou suavemente ao lado e, em um movimento voluntário com a outra, fez-lhe um aceno convidativo; e essa mesma mão pousou no banco e fez coro com todos os músculos daquele corpo para em um movimento quase imperceptível, deslocá-lo e ceder o espaço para ele se sentar.
                E por um breve segundo, ele decidiu que caminho tomar...

6 comentários:

  1. Dessa vez ele não virou a esquerda....sentou no banco.
    Vamos ver o que "os olhos" tem a mostrar.....

    Tô gostando!!!
    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Como a história do post anterior acabou sem continuação, devo assumir que sucederá o mesmo com essa. Logo... (rs)

    ResponderExcluir
  3. Uia! Pois é.... tem vezes que a decisão sobre qual caminho tomar se torna clara e cristalina diante de nós, nzé? Hehehehe! Continua? Ou vai pra lista? Hahaha! Bjos!

    ResponderExcluir
  4. Poxa, assim não vale! E a expectativa, como fica? Hahaha!

    Aguardemos!

    Abração!
    PS: R...??

    ResponderExcluir