Já tem algum tempo em que penso na solidão. Não na solidão por não
ter um companheiro ou alguém ao lado, mas na solidão em uma forma mais ampla.
Me pego pensando que sou mesmo solitário, sempre fui e bem provável que sempre
serei.
Como disse no post anterior, de certa forma, não ter ninguém me
dói, mas também me é confortável ficar assim.
Dói, porque sinto falta de ter com quem conversar, com quem
compartilhar alegrias e tristezas; dói porque me dá saudades da época passada
que tive isso, e que mesmo sendo por um período curto de tempo, foi bom. Dói,
porque sinto que a saudade que tenho daquela época, não passará e nem será
substituída por outra, pois simplesmente acho que não terei ninguém.
Dói, porque de certo modo, eu acredito mesmo que existem pessoas
para pessoas, sempre acreditei nisso, sempre tive essa esperança.
Mas, me sinto, de certo modo, confortável com essa situação, com o
fato de estar só. De alguma forma, me acostumei com isso; me acostumei a ir e
vir dos lugares só, a fazer coisas só, a não conversar, a não abraçar... De
alguma forma ou outra, me acostumei a ser sozinho...
E, apesar de parecer, e ser desagradável, acabei me acostumando
com isso.
Sinto falta, mas também não faço muita força para que a situação
mude. E, como o mundo precisa girar, eu vou seguindo em frente, ora lembrando,
ora esquecendo-se dessa minha solidão (in)voluntária...
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Os dias vão passando, de uma forma rápida ou lenta, depende do
dia, das horas, dos afazeres, das pseudo-obrigações diárias; mas de um modo ou
outro, o tempo corre e o ponteiro do relógio sempre completa mais e mais uma
volta, independente de eu estar ou não preocupado com isso.
Sem mais nem menos, às vezes entra alguém para conversar, as vezes
um conhecido, muitas vezes um desconhecido, muitas mais vezes um conhecido
desconhecido. Assuntos não faltam, mesmo
que sejam assuntos que você nunca conversou, faz parte da conversa falar deles.
Futebol, novela das 9, política, sexualidade, manias, amores, dinheiro, flores,
clima, e é claro, tempo.
Tempo!
Relativo ou não? Tempo temporal ou atemporal? Medido ou abstrato?
Depende. Depende se é com o conhecido, com o desconhecido, com o conhecido
desconhecido. E assim o tempo vai passando, passando, passando...e passando...
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Deixar o tempo passar é fácil. Difícil é deixar o tempo passar
junto com a solidão, ou melhor, acompanhado dela.
Por vezes estar só parece ser um instante tão pequeno, por outras
parece ser a maior de todas as eternidades. Por vezes você quer estar só, em
outras, fica na espera de um conhecido desconhecido qualquer que possa amenizar
ou mesmo, cooperar com aquela conversa que você tanto almeja ter.
Tem dias e dias, dias em que você quer que o dia não acabe, e em
outros que ele nunca tivesse começado, ou ainda que ele termine instantes
depois de ter começado, e também tem dias que você desejaria que nada mudasse,
que tudo fosse como sempre foi, mas que você sabe que nunca será assim.
São desejos; desejos que podem se realizar, que nunca se
realizarão, ou que você preferiria que nunca tivessem se realizados. São
desejos, que eu, você, nós, eles desejaram, desejamos, desejou, desejei; e um
desejo sempre será um desejo. Sempre.
São sonhos. Os desejos desejados são sonhos. E que mais dia menos
dia, quando o tempo estiver passando, quando o tempo for medido, quando a
conversa começar, quando o desconhecido se tornar conhecido e não mais um
conhecido desconhecido, seus desejos serão sonhos que serão realidade. Ou
pesadelo. Porque nada na vida há certeza, mas apenas temos a certeza de que há
vida.
Mais dia menos dia, os sonhos se realizam, o tempo passa e a
solidão acaba. Mais dia menos dia, tudo acaba; e tudo recomeça, partindo de um
tempo, de um dia, de umas horas, de alguém. Mais dia menos dia, a solidão se
vai, o tempo vem, as horas passam, alguém chega, a conversa começa, acaba, o
dia termina. Mais um dia que se passou, mais um sonho que se realizou, mais um
desejo a fomentar, mais uma conversa a começar.
Mais um dia de solidão, com horas a passar sobre todo o tempo, com
conhecidos desconhecidos a conversar sobre nada, e mais um dia de solidão a
terminar...
Onde assino, querido desconhecido amigo.
ResponderExcluirbeijos
Solidão não é uma coisa tão ruim assim ... eu no fundo sou, por natureza uma pessoa solitária ... gosto de estar só comigo, conversar comigo, pensar comigo e por aí vai. Ao mesmo tempo tenho um lado q me impulsiona à convivência social ampla, permanente, irrestrita ... No embate desta dualidade, por algum tempo da minha vida, a primeira, o lado solitário dominou amplamente. Isto incomodava-me em muito, mesmo apreciando o lado bom disto. Me entreguei voluntariamente ao outro lado, o da convivência total e ele assumiu a forma dominante, Isto tb não foi legal pois passei a sentir falta de mim mesmo, da possibilidade de ter momentos só meus. Bem, aí, por força de um determinismo permanente e obstinado consegui o q eu chamaria um equilíbrio desejável ... adoro e não abro mão de relacionar com meu amor, com os amigos, com conhecidos e desconhecidos, mas também sei ter para mim, aquele espaço íntimo onde só eu falo e só eu escuto ... A idade, a experiência, o temperamento, o voluntarismo enfim, não importa muito o q, mas o fato de q consegui ... com isto fico bem. Tomara q vc possa encontrar o seu equilíbrio tb.
ResponderExcluirbjão
Meu amigo... nem sei o que falar, você bem sabe que estamos juntos nessa, mas vamos que vamos.. eu sei que tenho sido um amigo tabajara, mas em breve espero que possamos mudar, e agitar um pouco as coisas.
ResponderExcluirForça ai.. Grande abraço.
Mr. Mabe é desses homens iceberg. Deixam à mostra uma parte que fascina e chama atenção pela aparente magnitude da coisa toda. E reserva ainda muito mais para quem se aventurar a desbravar seu lado submerso...
ResponderExcluirMabezito... gracias por tua visita e comment no níver do TPM... com certeza adorei... principalmente essa coisa de "beijo quente"... #comofaz????? Hahahahaha! Bjos!