Já
passavam das 10 horas da noite, quando ele conseguiu terminar aquela planilha
no computador. Precisava disso para a manhã, pois teria aquela inevitável
reunião com seu coordenador. Só pensava agora em tomar um banho, um leite
quente com mel e ir direto para a cama, dormir pelo menos até a hora do seu
celular tocar lembrando-o de ir a academia.
Mas,
como sempre fazia, não deixou de conferir seu e-mail antes de desligar seu
notebook; descartou as propagandas, os avisos do Facebook e outros tantos, mas
se deteve no aviso de mensagem do site de relacionamento que era inscrito.
Olhou para o relógio no canto direito da tela, já era tarde e estava cansado,
mas a sua curiosidade era maior. Resolveu entrar no site e ver quem deixara
mensagem em seu perfil; aquele mesmo perfil que tinha feito algum tempo atrás,
mas que agora estava completamente abandonado no limbo virtual por completa
falta de tempo.
Conseguiu
lembrar seu login e senha, afinal quase sempre usava as mesmas combinações de
números e letras. Entrou no perfil e viu, lá estava a mensagem – “achei você
interessante!” – e o link do remetente destacado ao final da mesma. Acessou e
foi direcionado para o perfil dele. Branco, olhos azuis, loiro, e mais alguns
outros detalhes sobre seu peso e corpo descreviam seu perfil ao lado de uma
pequena foto de perfil que ilustrava o canto esquerdo da página de fundo preto
e letras brancas. Não se fez de rogado, seu interesse também foi compartilhado,
seu coração palpitou e não sabia dizer se era pela imagem que lhe despertou
curiosidade para saber mais dele, ou se era pelo fato de após tanto tempo,
alguém o achar interessante. De qualquer modo, lembrou-se que era tarde,
precisava encerrar e teria uma manhã cheia de afazeres; deixaria isso para mais
tarde, para outro dia, como fizera tantas outras vezes no passado.
O
cursor do mouse caminhava em direção ao símbolo de desligar, quando foi
surpreendido por uma janela piscando na tela. Era ele! Estavam conectados ao
mesmo tempo, assim, ele resolveu chamar-lhe. A frase de apresentação não
poderia ser mais simples – Oi – e foi seguida da mesma resposta; mas não
demorou muito para que essa pequena palavra de duas vogais fosse seguida de
muitas palavras compostas de vogais e consoantes, alternadas e perfeitamente
combinadas, formando frases e mais frases que enchiam as telas e os corações e
mentes de ambos.
O
tempo passou, as horas passaram, e ele nem notou que o sol já despontava no
nascente, entrando vagarosamente pela persiana do seu quarto, inundando de luz
todo seu apartamento e lembrando-o que um novo dia começara. E esse novo dia
começara cheio de esperança em seu coração, aquele mesmo coração que tempos
atrás acreditava que nada mais podia surpreendê-lo, e que agora se encontrava
encantado pelo outro, pelas palavras que surgiam na tela fria de cristal
líquido de seu notebook.
Criou
coragem, despediram-se após horas de conversa que fluíram como se fossem velhos
amigos, porém, antes disso, marcaram outro encontro, para aquela mesma noite,
daquele mesmo dia que tinha acabado de começar e que prometia ser um novo dia
na vida dele.
Foram
ambos aos seus trabalhos, mas ele não conseguia pensar em outra coisa, a não
ser no outro, pensava que as horas pareciam dias, os minutos se tornavam
eternos, os segundos estavam congelados, e os ponteiros do relógio
petrificados, deixando assim uma sensação de eternidade até a tão esperada hora
daquele encontro marcado logo mais pela manhã. O dia se arrastava a passar, mas
era seguido de bons pensamentos, que preenchiam o vazio de seu coração com
recordações das frases perfeitas que o outro lhe escreveu.
Sentado
confortavelmente em seu sofá, acompanhado apenas das Bachianas, que chegava aos
seus ouvidos com uma clareza absoluta, resultado do moderníssimo aparelho de
som dinamarquês adquirido na sua última viagem a Europa, e com uma taça de
Chianti, também adquirido nesta viagem, ligou o notebook que estava
confortavelmente acomodado sobre suas pernas e esperou até que o outro fizesse
o mesmo.
Não
demorou muito para ele aparecer, não demorou muito para a taça de vinho ficar
esquecida, completamente vazia aos pés do estofado, não demorou muito para eles
ficarem tão absortos na conversa e não perceberem o tempo passar e o sol
novamente aparecer, lembrado-os que mais um dia se iniciava, e que por mais uma
noite, eles passaram na companhia um do outro.
Decidiram
marcar novamente uma conversa, mas agora não mais virtual, achavam que já se
conheciam a tempo suficiente para se verem cara a cara, se contemplarem ao
vivo, com todas as cores, odores e formas a que seus corpos tanto desejavam
saber um do outro. E foi o que fizeram. Marcaram um encontro para aquele mesmo
dia, para um final de tarde, logo após o trabalho de ambos, e assim, por mais
um dia seus corações se encheram de esperança.
Por
mais um dia, as horas se tornaram congeladas, os ponteiros dessa vez nem se
deslocavam para frente, a cada visualizada do relógio, parecia que estavam indo
em sentido contrário, arrastando o tempo para trás, deixando-o a cada segundo
mais longe do tempo que iria a ter com o outro, e a que tento seu coração
almejava que chegasse.
Chegou
a acreditar que tudo fosse ilusão enquanto caminhava em direção ao bistrô que
haviam marcado, estava atrasado 15 minutos, culpa do metrô lotado em final de
expediente, mas mesmo assim não acreditava que o outro pudesse tê-lo deixado;
acelerou o passo, não queria correr para não chegar sem ar, mas chegaria sem ar
de qualquer forma, tamanha era sua emoção e ansiedade.
Chegou.
Entrou. O local estava cheio, bem frequentado por pessoas dos bancos
localizados naquela região central, todos com taças de vinho ou xícaras de café
sobre as mesas, conversando animadamente, alguns poucos lendo os jornais e
revistas disponíveis, outros absortos em seus computadores, com a face
iluminada pela tela e o rosto emoldurado pelos fones de ouvidos brancos. Não
saberia como localizá-lo, esqueceu de lhe perguntar como estaria vestido, só se
lembrava daqueles olhos azuis profundos presentes naquele rosto apaixonante que
era presente em sua mente.
Resolveu
andar pelo ambiente, circular entre as pessoas, procurar com o coração, e foi andando, a passos curtos e sem direção, procurando em cada um o outro, e foi
ficando com o coração apertando quando percebeu que estava quase ao final do
ambiente e nada de encontrá-lo. Virou-se e olhou atentamente pelo caminho que
tinha vindo procurando-o novamente com mais atenção, mas em seu peito o coração
se apertava, imaginando que por uma fração pequena de tempo, pelo seu atraso, o
outro tivesse ido embora.
Sem
mais esperanças, encostou-se ao balcão já com ar cansado e sem o sorriso que
tinha quando adentrou naquele ambiente, já imaginava que não iria mais vê-lo,
que mais uma vez seu coração havia lhe pregado uma peça, como tantas outras
vezes haviam acontecido; seu olhar não mais procurava o outro nos outros, os
rostos que agora notava pareciam todos sem formas, enevoados como a sua mente,
e não tendo mais coragem de olhar, inclinou-se.
Quando
uma lágrima começava a se formar na pálpebra inferior de seus olhos, prestes a
transbordar e escorrer lentamente pela sua face, este foi surpreendido pelo
barulho singelo de uma taça de cristal sendo colocada ao seu lado, seguido de
uma pequena frase – “Acho que é deste vinho que você gosta” – fazendo com que
sua atenção se voltasse naquela direção, procurando com seus olhos marejados,
que havia lhe dirigido a frase. Foi quando o viu, quando viu aqueles olhos
azuis, aquele rosto a que tanto procurou, aquele a quem tanto desejou.
La
estava ele, atrás do balcão, estendendo-lhe alem da taça de vinho, um sorriso
generoso, que preenchia todo o espaço entre eles com aquela sensação de
esperança que havia sentido antes, e que lhe proporcionava novamente sorrir. E
foi sorrindo que a lágrima que se formara momentos antes, caiu, descendo
suavemente pela sua face e parando somente no dedo dele, que em um gesto
singular, enxugou-a; e com aquela mesma mão, entrelaçou-a pelos seus cabelos,
guiando seu rosto em direção ao dele, beijando-o com todo amor que podia
sentir.
Afastaram-se,
olhando diretamente nos olhos um do outro, sorriram, para novamente se
beijarem, dessa vez sob aplausos calorosos de todos os presentes. Sua mente não
pensava em mais nada, sentia seu coração cheio de esperanças novamente, e só
queria sentir isso naquele momento; e nesse momento o tempo congelou, os
ponteiros pararam, e nada mais importava, a não ser...
Fio... tu tá inspirado, hein? Queria saber o nome dessa inspiração... hehehehe!
ResponderExcluirE tanto tu falas dessa minha eventual "gostosura" que quaquer dia eu acredito... hehehe! Bjos!
Pois pode ir acreditando, meu caro...pode ir acreditando!
ResponderExcluirE logo saberás de onde vem minha inspiração...espere pelos próximos capítulos....hahahahahahahahahaha.
Beijos.
Oi? "Branco, olhos azuis, loiro", saído de um site de pega... digo, relacionamento, querendo relacionamento? Rá! Ficção! Hahahaha!
ResponderExcluirAguardando a continuação!
PS: assim... eu ACHO que a rifa premiada de um tal blogueiro com "baixa renda", já tem dono! E só é ACHO, pois existe uma geografia por aí! Ou não? Hahahaha!
Tô sentindo o jogo, quer dizer, o clima entre os dois.... esses olhos azuis...afff...que belezura heim???
ResponderExcluirEsperando no que vai dar... rsrrs
bjs