quarta-feira, 28 de novembro de 2012

+A


                Já passavam das 10 horas da noite, quando ele conseguiu terminar aquela planilha no computador. Precisava disso para a manhã, pois teria aquela inevitável reunião com seu coordenador. Só pensava agora em tomar um banho, um leite quente com mel e ir direto para a cama, dormir pelo menos até a hora do seu celular tocar lembrando-o de ir a academia.
                Mas, como sempre fazia, não deixou de conferir seu e-mail antes de desligar seu notebook; descartou as propagandas, os avisos do Facebook e outros tantos, mas se deteve no aviso de mensagem do site de relacionamento que era inscrito. Olhou para o relógio no canto direito da tela, já era tarde e estava cansado, mas a sua curiosidade era maior. Resolveu entrar no site e ver quem deixara mensagem em seu perfil; aquele mesmo perfil que tinha feito algum tempo atrás, mas que agora estava completamente abandonado no limbo virtual por completa falta de tempo.
                Conseguiu lembrar seu login e senha, afinal quase sempre usava as mesmas combinações de números e letras. Entrou no perfil e viu, lá estava a mensagem – “achei você interessante!” – e o link do remetente destacado ao final da mesma. Acessou e foi direcionado para o perfil dele. Branco, olhos azuis, loiro, e mais alguns outros detalhes sobre seu peso e corpo descreviam seu perfil ao lado de uma pequena foto de perfil que ilustrava o canto esquerdo da página de fundo preto e letras brancas. Não se fez de rogado, seu interesse também foi compartilhado, seu coração palpitou e não sabia dizer se era pela imagem que lhe despertou curiosidade para saber mais dele, ou se era pelo fato de após tanto tempo, alguém o achar interessante. De qualquer modo, lembrou-se que era tarde, precisava encerrar e teria uma manhã cheia de afazeres; deixaria isso para mais tarde, para outro dia, como fizera tantas outras vezes no passado.
                O cursor do mouse caminhava em direção ao símbolo de desligar, quando foi surpreendido por uma janela piscando na tela. Era ele! Estavam conectados ao mesmo tempo, assim, ele resolveu chamar-lhe. A frase de apresentação não poderia ser mais simples – Oi – e foi seguida da mesma resposta; mas não demorou muito para que essa pequena palavra de duas vogais fosse seguida de muitas palavras compostas de vogais e consoantes, alternadas e perfeitamente combinadas, formando frases e mais frases que enchiam as telas e os corações e mentes de ambos.
                O tempo passou, as horas passaram, e ele nem notou que o sol já despontava no nascente, entrando vagarosamente pela persiana do seu quarto, inundando de luz todo seu apartamento e lembrando-o que um novo dia começara. E esse novo dia começara cheio de esperança em seu coração, aquele mesmo coração que tempos atrás acreditava que nada mais podia surpreendê-lo, e que agora se encontrava encantado pelo outro, pelas palavras que surgiam na tela fria de cristal líquido de seu notebook.
                Criou coragem, despediram-se após horas de conversa que fluíram como se fossem velhos amigos, porém, antes disso, marcaram outro encontro, para aquela mesma noite, daquele mesmo dia que tinha acabado de começar e que prometia ser um novo dia na vida dele.
                Foram ambos aos seus trabalhos, mas ele não conseguia pensar em outra coisa, a não ser no outro, pensava que as horas pareciam dias, os minutos se tornavam eternos, os segundos estavam congelados, e os ponteiros do relógio petrificados, deixando assim uma sensação de eternidade até a tão esperada hora daquele encontro marcado logo mais pela manhã. O dia se arrastava a passar, mas era seguido de bons pensamentos, que preenchiam o vazio de seu coração com recordações das frases perfeitas que o outro lhe escreveu.
                Sentado confortavelmente em seu sofá, acompanhado apenas das Bachianas, que chegava aos seus ouvidos com uma clareza absoluta, resultado do moderníssimo aparelho de som dinamarquês adquirido na sua última viagem a Europa, e com uma taça de Chianti, também adquirido nesta viagem, ligou o notebook que estava confortavelmente acomodado sobre suas pernas e esperou até que o outro fizesse o mesmo.
                Não demorou muito para ele aparecer, não demorou muito para a taça de vinho ficar esquecida, completamente vazia aos pés do estofado, não demorou muito para eles ficarem tão absortos na conversa e não perceberem o tempo passar e o sol novamente aparecer, lembrado-os que mais um dia se iniciava, e que por mais uma noite, eles passaram na companhia um do outro.
                Decidiram marcar novamente uma conversa, mas agora não mais virtual, achavam que já se conheciam a tempo suficiente para se verem cara a cara, se contemplarem ao vivo, com todas as cores, odores e formas a que seus corpos tanto desejavam saber um do outro. E foi o que fizeram. Marcaram um encontro para aquele mesmo dia, para um final de tarde, logo após o trabalho de ambos, e assim, por mais um dia seus corações se encheram de esperança.
                Por mais um dia, as horas se tornaram congeladas, os ponteiros dessa vez nem se deslocavam para frente, a cada visualizada do relógio, parecia que estavam indo em sentido contrário, arrastando o tempo para trás, deixando-o a cada segundo mais longe do tempo que iria a ter com o outro, e a que tento seu coração almejava que chegasse.
                Chegou a acreditar que tudo fosse ilusão enquanto caminhava em direção ao bistrô que haviam marcado, estava atrasado 15 minutos, culpa do metrô lotado em final de expediente, mas mesmo assim não acreditava que o outro pudesse tê-lo deixado; acelerou o passo, não queria correr para não chegar sem ar, mas chegaria sem ar de qualquer forma, tamanha era sua emoção e ansiedade.
             Chegou. Entrou. O local estava cheio, bem frequentado por pessoas dos bancos localizados naquela região central, todos com taças de vinho ou xícaras de café sobre as mesas, conversando animadamente, alguns poucos lendo os jornais e revistas disponíveis, outros absortos em seus computadores, com a face iluminada pela tela e o rosto emoldurado pelos fones de ouvidos brancos. Não saberia como localizá-lo, esqueceu de lhe perguntar como estaria vestido, só se lembrava daqueles olhos azuis profundos presentes naquele rosto apaixonante que era presente em sua mente.
                Resolveu andar pelo ambiente, circular entre as pessoas, procurar com o coração, e foi andando, a passos curtos e sem direção, procurando em cada um o outro, e foi ficando com o coração apertando quando percebeu que estava quase ao final do ambiente e nada de encontrá-lo. Virou-se e olhou atentamente pelo caminho que tinha vindo procurando-o novamente com mais atenção, mas em seu peito o coração se apertava, imaginando que por uma fração pequena de tempo, pelo seu atraso, o outro tivesse ido embora.
                Sem mais esperanças, encostou-se ao balcão já com ar cansado e sem o sorriso que tinha quando adentrou naquele ambiente, já imaginava que não iria mais vê-lo, que mais uma vez seu coração havia lhe pregado uma peça, como tantas outras vezes haviam acontecido; seu olhar não mais procurava o outro nos outros, os rostos que agora notava pareciam todos sem formas, enevoados como a sua mente, e não tendo mais coragem de olhar, inclinou-se.
                Quando uma lágrima começava a se formar na pálpebra inferior de seus olhos, prestes a transbordar e escorrer lentamente pela sua face, este foi surpreendido pelo barulho singelo de uma taça de cristal sendo colocada ao seu lado, seguido de uma pequena frase – “Acho que é deste vinho que você gosta” – fazendo com que sua atenção se voltasse naquela direção, procurando com seus olhos marejados, que havia lhe dirigido a frase. Foi quando o viu, quando viu aqueles olhos azuis, aquele rosto a que tanto procurou, aquele a quem tanto desejou.
                La estava ele, atrás do balcão, estendendo-lhe alem da taça de vinho, um sorriso generoso, que preenchia todo o espaço entre eles com aquela sensação de esperança que havia sentido antes, e que lhe proporcionava novamente sorrir. E foi sorrindo que a lágrima que se formara momentos antes, caiu, descendo suavemente pela sua face e parando somente no dedo dele, que em um gesto singular, enxugou-a; e com aquela mesma mão, entrelaçou-a pelos seus cabelos, guiando seu rosto em direção ao dele, beijando-o com todo amor que podia sentir.
                Afastaram-se, olhando diretamente nos olhos um do outro, sorriram, para novamente se beijarem, dessa vez sob aplausos calorosos de todos os presentes. Sua mente não pensava em mais nada, sentia seu coração cheio de esperanças novamente, e só queria sentir isso naquele momento; e nesse momento o tempo congelou, os ponteiros pararam, e nada mais importava, a não ser...

4 comentários:

  1. Fio... tu tá inspirado, hein? Queria saber o nome dessa inspiração... hehehehe!
    E tanto tu falas dessa minha eventual "gostosura" que quaquer dia eu acredito... hehehe! Bjos!

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  2. Pois pode ir acreditando, meu caro...pode ir acreditando!

    E logo saberás de onde vem minha inspiração...espere pelos próximos capítulos....hahahahahahahahahaha.

    Beijos.

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  3. Oi? "Branco, olhos azuis, loiro", saído de um site de pega... digo, relacionamento, querendo relacionamento? Rá! Ficção! Hahahaha!

    Aguardando a continuação!
    PS: assim... eu ACHO que a rifa premiada de um tal blogueiro com "baixa renda", já tem dono! E só é ACHO, pois existe uma geografia por aí! Ou não? Hahahaha!

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  4. Tô sentindo o jogo, quer dizer, o clima entre os dois.... esses olhos azuis...afff...que belezura heim???
    Esperando no que vai dar... rsrrs
    bjs

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